Não sou Sushiman, sou Itamae!

por Aldo Paladino | 26/06/2009 | em Diversos

Outro dia, ao ser entrevistado por uma emissora de TV aqui de Florianópolis, o apresentador do programa me apresentou como “sushiman”.

Sem nenhum constrangimento, corrigi na hora: “Não sou sushiman, sou professor e quem faz sushi é Itamae e não sushiman!”, respondi prontamente.

Embora tenha parecido arrogância não foi. Em todo mundo, fora o próprio Japão, é o Brasil que possui a maior colônia japonesa, algo em em torno de 1 milhão e quinhentas mil pessoas, segundo dados da revista “Japão em foco”. Sem dúvida alguma, a comunidade nipônica poderia ser um país.

Então por que sushiman e não itamae?

A lógica me diz que a resposta para essa pergunta é a velocidade em que os brasileiros costumam perceber as coisas, ou seja, em passos de tartaruga.

Com tanta influência e com mais de 100 anos de existência em nosso país, os japoneses devem se perguntar porque os brasileiros são tão lentos em perceber a existência de uma cultura tão forte e presente em nossa sociedade.

Parte dessa cultura, diferente e estranha aos brasileiros, está a sua culinária. Quem acompanha meus artigos sabe de minha contrariedade aos modismos que, muitas vezes, beira ao exotismo aberrativo.

Se usamos em nosso cotidiano os termos,em francês, maitrê e garçon para designar tais profissionais, é bem compreensível que na falta do similar nacional adaptemos o termo original; hostess, por exemplo.

Acompanhando esse raciocínio e, também, pelo óbvio argumento de nossa imensa colônia japonesa, nada mais justo que o profissional do sushi seja Itamae e não sushiman!

Então, meu caro leitor, a partir de hoje, quando for ao seu restaurante quase-japonês, pergunte qual o oficio do rapaz que faz seu sushi; se ele disser que é sushiman, fuja dali.

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5 Respostas »

  1. luiz everton
    21:59 às 28/06/2009

    parabéns Aldo, pela atitude, gostei bastante, e te dou toda razão!!

  2. ROBERTO TOMITA
    14:22 às 06/07/2009

    BOA A RESPOSTA DO NOSSO PROFESSOR

  3. MARCELO
    19:24 às 18/07/2009

    Parabéns Professor Aldo, sou um apaixonado pela culinária japonesa e sempre é ótimo aprender cada vez mais, principalmente com quem sabe.
    Abraços.

  4. flavio
    15:59 às 13/09/2009

    Apenas gostaria de saber uns detalhes, onde mesmo vc trabalhou? Quem foi seu Itamae-san? Vc tem experiência em restaurantes japoneses? Já trabalhou com algum niponico mesmo? Acredito que qualquer um pode se denominar o que bem entender, mas é necessário respeitar as tradições. Eu sou descendente nato de japonês, sou sushiman há 18 anos e tive Itamae-san nihondin, tendo passagens por tradicionais e respeitadíssimos restaurantes japoneses de SP. O termo sushiman não deve ser desconsiderado, afinal, ao mesmo tempo como vc mesmo cita que nomes são adaptáveis, esse é mais um exemplo. Agora, pelo que vi em seu currículo, você não pode se auto denominar Itamae-san, já que apenas fez cursos, nunca teve um restaurante japonês, nunca teve um Itamae-san como mentor. Humildade é bom pra todos.
    Não estou aqui para criticar ninguem, apenas acredito que devemos ser quem realmente somos.

  5. Flávio,

    Vamos lá,

    Em primeiro lugar, acho que voce deveria ter lido o seu próprio e-mail. Quem esta sendo arrogante? Você não esta me perguntando, esta me inquirindo. Não me arrogo de nada, ao contrário, entra no meu site(www.paladinochef.com) que esta la meu curriculo. Quero ver você achar a palavra itamae san em algum lugar. Acho que voce não entendeu o meu artigo.Leia de novo, com calma.

    No entanto, voce deveria repensar essa sua atitude, uma vez que eu sendo descendente direto de italianos ensino sobre a culinária japonesa a mais de 10 anos, sendo instrutor oficial de uma empresa criada por japones, com mais de 75 anos de existência. Isso é arrogância? Não meu amigo, creio que seja competência. Quando for ao Rio, terei imensa alegria em te convidar para assistir minha aula.

    Minha opção foi ensinar, não trabalhar em restaurantes ou ter o meu próprio; no entanto, para ter o privilégio do conhecimento não necessitamos ter uma universidade; temos que frequenta-la. Meu objetivo foi de estudar, aprender e ter conhecimento. Esse conhecimento, com todo orgulho possibilitou inúmeros, Josés e Francisco a terem uma profissão. Isso ai que me orgulha e envaidece, além dos inúmeros alunos amadores que passam todos os anos pelos meus cursos.

    Quanto a sua descendência, creio que saiba que só o estado de São Paulo tenha mais de 1 milhão de japoneses e nipo-descendentes. Porque teriamos que usar o termo “sushiman”? Voce, cria da terra, deveria lutar pela tradição de seus antepassados.

    Afinal, o que realmente você é? Hanaita, itamae, chef sushi ou sushiman ou homem do sushi? Eu, sou um cozinheiro, formado pelo Senac,em 1984, graduado com cursos, principalmente da Casa Kotobuki do Rio de Janeiro, um dos restaurantes pioneiros no Rio, onde aprendi o ofício com um tal Ricardo, que na verdade se chamava Ryosuke Ogawa.

    Desde já, agradeço seu e-mail e me coloco a disposição.

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