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Histórico de maio, 2009

mai
30

rece_0308_feijoadaNão sei exatamente em qual postagem que fiz no Pecado da Guka onde eu comentava que preparávamos feijoada no Japao e a Karen, blogueira do Kafka na Praia se espantou. É verdade que não se tem todos os pertences à disposição, mas com o que se encontra nas lojas de produtos brasileiros dá para se matar a saudade de pratos típicos como a feijoada. Houve uma época em que a única opção era recorrer às latas de feijoada pronta. Que lástima, não? Retemperávamos e, para nós, era uma delícia! Tempos em que cada amigo ou parente que chegava aqui trazia alguma “lembrancinha” do Brasil na mala. Feijão, salame, goiabada, ovo de Páscoa, panetone! Tudo era recebido com alegria e costumávamos repartir entre os amigos! Hoje em dia tem quase tudo nestas lojinhas. Mesmo assim não ousaria batizar esta receita como A feijoada. Os tradicionalistas me crucificariam, por certo! rss
Stanislaw Ponte Preta dizia que “para a feijoada ser completa, tem que ter até ambulância na porta!”
Exageros à parte, minha sogra preparava feijoadas ótimas aqui, bem menos gordurosas. Não nos dava a sensação de ter engolido uma bigorna! É esta receita que passo aqui. Muitos que moram no Brasil vão estranhar bastante a forma de preparo, talvez até torcer o nariz, mas é uma maneira de amenizar a vontade de comer este prato tão apreciado da nossa culinária brasileira. Espero que seja de algum interesse para outros dekasseguis, assim como outros expatriados!

Feijoada japonesa

1 kg de feijão preto
1 pacote de charque (500g)
1 bandeja pequena de pé de porco
300g de bacon em bloco
500g de músculo de boi
2 linguiças calabresas defumadas
2 linguiças tipo paio
500g de costelinha de porco fresca ou congelada (a defumada não é boa, tem gosto de ranço)
1 cabeça de alho descascada e picada
2 cebolas picadas
50ml de óleo
sal se necessário
pimenta do reino
4 folhas de louro

Separe o feijão e deixe de molho por algumas horas (desta vez deixei por 4 horas). Corte o charque em pedaços, lave bem e deixe de molho por umas 2 horas. Não é necessários trocar a água pois o charque daqui não é muito salgado e acaba-se tirando todo seu gosto.
Coloque os pedaços do pé, as costelas e o bacon picado numa panela. Coloque água que cubra as carnes e leve ao fogo. Deixe aferventar e escorra. Lave bem em água corrente e reserve.
Coloque o feijão, com a mesma água que ficou de molho, na panela de pressão. A água tem que ficar uns 4 dedos acima do nível de feijão. Tampe e leve ao fogo. Quando pegar pressão e começar a chiar, conte 20 minutos.
Se você tiver outra panela de pressão, coloque nela as carnes: charque escorrido, pé de porco, costelinha, bacon, linguiças em rodelas e o músculo em pedaços. Coloque água que cubra as carnes e leve ao fogo também. Deixe por 30 minutos depois que começar a chiar.
Caso não tenha duas panelas, espere o feijão cozinhar e coloque as carnes para cozinhar. Se quiser, deixe um pouco de feijão e caldo para cozinhar junto com as carnes para “pegar cor”.
Numa panela bem grande, refogue o alho e a cebola. Junte o feijão e as carnes cozidas. Caso não tenha muito caldo, acrescente um pouco de água quente ao feijão. Junte as folhas de louro e tempere com pimenta do reino. Prove o sal e acerte se necessário. Deixe dar uma aferventada. Junte o suco de um limão e cozinhe por mais alguns instantes. Retire a espuma branca da superfície. Se você gosta do caldo mais grosso, deixe apurando mais alguns minutos. A feijoada fica melhor ainda no dia seguinte!

Farofa para acompanhar

3 colheres (sopa) de azeite
100g de bacon picado em tirinhas
2 ovos
1 dente de alho picadinho
1/2 cebola fatiada
1 tomate grande picado
1/2 xícara de azeitonas verdes picadas
farinha de mandioca o suficiente (gosto da torrada)
sal e pimenta do reino
cheiro verde picado

Refogue o bacon no azeite em fogo médio. Quando ficar douradinho, afaste o bacon para um canto e quebre os 2 ovos. Misture e frite por alguns instantes. Afaste para um canto também. Se necessário, coloque mais azeite e refogue o alho com a cebola. Coloque o tomate picado e refogue até derreter. Junte as azeitonas e vá adicionando a farinha de mandioca aos poucos até ficar na textura que você gosta, mais molhadinho ou mais sequinho. Tempere e desligue o fogo. Junte o cheiro verde e misture.

Sirva a feijoada com couve refogada, molho vinagrete e de pimenta e laranja ou abacaxi como sobremesa para “cortar” a gordura.

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mai
28

subutaEste prato chinês é muito apreciado no Japao. Consiste em pedaços de carne de porco com legumes refogados envolvidos num molho agridoce.
Nunca havia comido este prato antes de ir para lá. Fui apresentada a ele de forma dramática no nosso “bentô”, a famigerada marmita japonesa. Atualmente o bentô vem servido em pratos na fábrica, mas antigamente vinha numas caixinhas fechadas, verdadeiras caixas surpresa. Nunca sabíamos o que iríamos ter que encarar para o almoço. Certa vez, tirei a tampa e lá estava o subuta. Olhei e achei que fosse o molho do yakisoba, sem o macarrão. Ao comer, que decepção! Uma meleca azeda, simplesmente intragável!
Geralmente quando não gostamos do prato da primeira vez e difícil querer repetir. Fiquei anos sem comer subuta. Mas tanto falavam desse prato, tanto mostravam nos programas culinários daqui que pensei que não era possível uma coisa tão horrível ser tão apreciado assim.
Até meu marido que é enjoado para pratos meio adocicados sempre comentava que gostava quando aparecia em seu bentô.
Resolvi então procurar uma boa receita e encontrei esta num site da internet de celular. Para minha surpresa, este subuta em nada se parece com a meleca azeda do bentô. Não é exageradamente azedo mas quem gostar assim pode aumentar a quantidade de vinagre na receita. Deste subuta eu gostei! Ótimo para se comer com arroz branco!

Subuta

200g de carne de porco (lombo ou pernil)
2 colheres (chá) de saquê
sal e pimenta do reino a gosto

1 cenoura média
1/2 pimentão vermelho
1 pimentão verde
1 cebola pequena
6 shiitakes frescos
1 pacote de broto de bambu pré-cozido (100g)

Massinha para envolver a carne:
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de katakuriko (fécula de batata)
1 gema
20ml de água

Molho agridoce:
60ml de catchup
60ml de vinagre de arroz
60ml de água
3 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de saquê
4 colheres (chá) de caldo de galinha em pó (torigará suupu no moto)
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (sopa) de katakuriko
1 colher (chá) de óleo de gergeli,
óleo suficiente para fritar carne e saltear os legumes

1. Afervente o broto de bambu, escorra e pique em cubos de 2cm. Corte a cebola, os pimentões em quadrados. Tire o talo do shiitake e corte em cruz. Descasque a cenoura, corte ao meio no sentido do comprimento e fatie na diagonal. Coloque numa panela com água e leve ao fogo só até ferver a água. Escorra e reserve.

2. Misture todos os ingredientes da molho e reserve.

3. Corte a carne de porco em cubos de 2cm e tempere com o saquê, sal e pimenta. Deixe tomando gosto por alguns minutos. Em seguida, junte os demais ingredientes da massinha e misture bem. Frite em óleo abundante no fogo baixo (160oC) até ficarem corados. Retire e reserve.

4. Dê uma salteada nos legumes numa frigideira bem quente com um pouco de óleo. Faça de 2 legumes por vez para não juntar água.

5. Volte todos os legumes e a carne na frigideira. Despeje o molho e misture bem até adquirir cremosidade. Desligue o fogo, coloque o óleo de gergelim e misture bem. Sirva em seguida.

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mai
25

p140

Ja nao eh de hoje que o uso de vegetais tambem eh utilizado na feitura de doces. Quem nao gosta de um bolo de cenoura coberto com chocolate, doce de batata doce ou de abobora?

ayakakisawa

Inovando e ousando mais ainda, Aya Kakizawa, proprietaria da famosa confeitaria Potager em Tokyo esta, como se diz hoje em dia, bombando com seus bolos e tortas que usam e abusam dos mais diversos legumes e verduras. Que tal um gateau au chocolat com raiz de bardana, uma torta-flan de cenoura ou um rocambole recheado com batata doce roxa e aspargos (primeira foto do post)???

A bela chef patissier bem poderia estar ganhando a vida como modelo ou artista de tv mas ela eh uma workholic assumiderrima. Passa mais de 14 horas na confeitaria comandando os assistentes, supervisionando a loja e gasta muitos neuronios para criar novos doces. Faz e refaz a receita zilhoes de vezes, faz muitas degustacoes e alguem me explique, como ela consegue se manter magrinha???? rss

Como a maioria dos badalados chefs do Japao, Aya foi estudar culinaria na Franca e, de volta a terra do sol nascente, resolveu investir em comidas nao so gostosas mas que fossem ecologicamente corretas. Em busca dos ingredientes perfeitos ela visita regularmente seus fornecedores de legumes e verduras, todos organicos. Experimenta, pergunta e da sugestoes sempre visando alimentos mais nutritivos e saborosos! Hoje em dia, alem da confeitaria, ela produz bolos de aniversario de famosos japoneses, doces para eventos de industrias de cosmeticos e para os passageiros da primeira classe que viajam pela companhia aerea ANA. Se achou pouco, ainda tem tempo para desenvolver biscoitos nutritivos para criancas mais enjoadinhas que nao comem isso ou aquilo e da palestras em escolas e empresas!

Aya tem tipo sanguineo B e dizem as mas linguas que estas pessoas nao se empenham muito, nao vao ate o fim quando inicia alguma coisa, sao preguicosas… coisas que volta e meia acabo realmente cometendo (yes,confesso, sou tipo B tambem!!!! rss) mas vendo o esforco desta mulher batalhando e se sobressaindo numa area predominantemente masculina eh de dar gas em qualquer uma, seja tipo A, B, O ou AB!!! Confiram algumas de suas criacoes abaixo ou de uma checada no seu  site!

p62 

Cheese cake de edamame (soja verde)

 

 

 

p234

 

Bolo Opera de shunguiku (folhagem levemente amarga de talo grosso muito consumida em cozidos e sopas)

 

 

 

* todas as fotos foram extraidas do site Potager.

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mai
24

dscf1342

Foi uma grande honra receber o convite do pessoal da Cozinha Japonesa para escrever um blog dentro deste novo site que busca reunir muitas novidades e noticias para as pessoas que amam a culinaria oriental em geral.

Ja venho blogando ha mais de 3 anos no Pecado da Gula onde mostro minhas experiencias culinarias alem de falar um pouco de mim, dos meus interesses e onde troco ideias com outros blogueiros e leitores. O Pecado nasceu no Japao onde morei durante quase 20 anos. A ideia inicial era apenas catalogar as receitas bem sucedidas com os ingredientes japoneses e, ao inves de ficar copiando receitas para as colegas que as pediam, resolvi colocar on-line para disponibilizar a elas.

Naquele periodo os blogs de culinaria em lingua portuguesa estava apenas engatinhando e era facil poder circular por todos eles, deixar recadinhos e interagir com outras blogueiras. Hoje ja eh uma tarefa quase impossivel visto a quantidade de pessoas blogando sobre comida, mas os leitores so tem a ganhar com isso, pois aprende-se muito e muitas vezes a simples afinidade acaba resutando em amizades duradouras e sinceras. A unica coisa que lamento eh nao poder visitar todas as blogueiras com a frequencia que gostaria e nao ter mais tanto tempo como antes para experimentar receitas diferentes.

Minhas primeiras experiencias na cozinha comecaram cedo, quando tinha  acho que 12 anos e minha ba-chan adoeceu. Meus pais trabalhavam o dia todo e minha avo era a encarregada de cozinhar para a pequena tropa de 7 pessoas em casa. Nao sabia lavar arroz nem cozinhar feijao. Queimei muita comida, temperei de mais ou de menos outras, levei muitas criticas do meu pai, broncas da ba-chan mas foi assim, errando bastante que aos poucos fui domando as panelas, apesar delas ainda me darem um banho de lavada vez ou outra! rss

Cozinha japonesa sempre esteve muito presente em nossa casa, muito por causa de meus avos, japoneses legitimos da provincia de Hokkaido. No dia-a-dia era tudo temperado com shoyu e aji-no-moto e arroz branco sem tempero. Ja nas datas especiais, di-chan gostava de reunir toda a familia para todos se sentarem na mesa da sala que nessas ocasioes ficava bem mais comprida para acomodar todos os meus tios, tias e primos. Nao podia faltar o nishime (cozido de legumes), makizushi e inarizushi, salada de harusame e doce de kanten. Como boa familia nipo-brasileira, na mesa tambem tinha coxinha de frango e pastel! Sashimi era coisa cara e so tinhamos oportunidade de comer no Natal e Ano Novo. No frio, di-chan era o encarregado de fazer o sukiyaki (cozido de carne e legumes) que gostava de preparar na mesa, com todos em volta. Lembro que era necessario cortar toneladas de verduras de muitos tipos para ficar um sukiyaki completo e a pior parte era cortar quilos de carne bem pequenininhos. Eram momentos muito festivos, com toda a familia reunida. Momentos hoje muito raros, seja por causa da partida de muitos membros da familia para o ceu. seja por causa do movimento dekassegui que levou outros membros para o outro lado do mundo. Eu mesma fui uma delas e estou de volta ao Brasil a cerca de um mes.

No Japaoa tive contato com muitas comidas que nunca tinha ouvido falar e vi como eh variada a culinaria japonesa. Gostaria muito de compatilhar com voces algumas receitas que descobri e faco vez ou outra em casa! ;-)

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